Pular para o conteúdo
Todas as edições
STJ22 de mar. de 2022 – 19 de abr. de 2022

Informativo nº 733

19 julgados · 19 comentados · ancorados no resumo oficial do STJ

AdministrativoCivilConsumidorEmpresarialGeralPrevidenciárioProcessual CivilProcessual PenalTributário
Edição oficial no site do STJ
STJInformativonº AREsp 1.825.800-SC05 de abr. de 2022

Honorários advocatícios. Contrato administrativo. Licitação para contratação de serviços de advocacia. Cláusula de renúncia aos honorários de sucumbência. Lei n. 8.666/1993.

Informativo comentado

O STJ decidiu que é válida a cláusula em contrato administrativo na qual o advogado contratado renuncia, de forma expressa e voluntária, ao direito de receber os honorários de sucumbência.

O fundamento jurídico é que o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do artigo 24, § 3º, da Lei 8.906/1994, que proibia tal renúncia, por considerar os honorários de sucumbência um direito disponível e negociável.

Para concursos, a decisão é relevante porque consolida o entendimento de que a autonomia da vontade prevalece nos contratos administrativos, desde que não haja abuso ou ilegalidade, e que a renúncia deve ser sempre expressa, não podendo ser presumida.

Ver recorte oficial

Mapa mental

STJInformativonº AREsp 1.837.057-PR29 de mar. de 2022

Intempestividade recursal. Equívoco do sistema eletrônico do Tribunal de Justiça (PROJUDI). Prorrogação do prazo. Demonstração de justa causa. Imprescindibilidade.

Informativo comentado

O STJ decidiu que, para que haja a prorrogação de um prazo recursal, é indispensável que a parte comprove, de forma concreta e efetiva, a existência de justa causa.

O fundamento jurídico expresso na ementa é que a contagem correta dos prazos recursais, conforme a lei, é um ônus exclusivo da parte recorrente, não sendo suficiente a data indicada pelo sistema processual eletrônico para justificar a intempestividade. Embora exista jurisprudência anterior que relativizava a intempestividade com base em erro do sistema eletrônico, o STJ passou a exigir a demonstração efetiva da justa causa para esse afastamento excepcional.

Para concursos, essa decisão é crucial porque fixa o entendimento atual da Corte de que o erro do sistema eletrônico, por si só, não é suficiente para salvar um recurso intempestivo, cabendo ao advogado provar o motivo real que o impediu de cumprir o prazo legal.

Ver recorte oficial

Mapa mental

STJInformativonº HC 721.963-SP19 de abr. de 2022

Reconhecimento pessoal. Vítima capaz de identificar o autor do fato. Dúvida na individualização do agente. Inocorrência. Instauração do procedimento do art. 226 do CPP. Desnecessidade.

Informativo comentado

O STJ decidiu que, quando a vítima consegue individualizar o autor do crime, não é obrigatório seguir o procedimento formal de reconhecimento previsto no do CPP.

O fundamento jurídico é que o próprio artigo determina que o rito deve ser aplicado apenas "quando houver necessidade", ou seja, em caso de dúvida sobre a autoria.

Para concursos, isso é relevante porque demonstra a evolução jurisprudencial do STJ, que passou a exigir a observância do art. 226 como regra, mas admite exceções quando a identificação do agente já é certa e corroborada por outras provas, como o reconhecimento em juízo.

Ver recorte oficial

Mapa mental

STJInformativonº REsp 1.587.197-SP19 de abr. de 2022

Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI. Suspensão. Art. 5°, da Lei n. 9.826/1999. Art. 29 da Lei n. 10.637/2002. Estabelecimentos equiparados a industrial. Não aplicação.

Informativo comentado

O STJ decidiu que o benefício da suspensão do IPI, previsto nas Leis 9.826/1999 e 10.637/2002, não se aplica a estabelecimentos equiparados a industrial, sendo restrito apenas aos estabelecimentos industriais propriamente ditos.

O fundamento jurídico expresso na ementa é a distinção feita pelo Código Tributário Nacional entre "estabelecimento industrial" e "equiparado a industrial", além da aplicação dos princípios da legalidade estrita (do CTN) e da reserva legal (, §6º, da CF/88), que exigem que qualquer benefício fiscal seja concedido de forma expressa.

Para concursos, a decisão é relevante porque fixa o entendimento de que a equiparação legal não gera presunção de extensão de benefícios fiscais, devendo o intérprete verificar se a lei mencionou expressamente os equiparados como destinatários da vantagem.

Ver recorte oficial

Mapa mental

STJInformativonº REsp 1.709.727-SE05 de abr. de 2022

Responsabilidade civil do Estado. Acidente de trânsito em rodovia estadual. Óbito da vítima. Omissão estatal quanto ao dever de conservação e sinalização da via pública. Danos materiais devidos.

Informativo comentado

O STJ decidiu que o Estado deve indenizar os filhos menores e o cônjuge da vítima por danos materiais, em caso de morte causada por omissão estatal em rodovia.

O fundamento jurídico expresso na ementa é que, para condutas omissivas, a responsabilidade civil do Estado é subjetiva, exigindo a comprovação de conduta omissiva e culposa, dano e nexo causal, o que foi verificado no caso.

Além disso, o tribunal firmou que a dependência econômica dos dependentes é presumida, dispensando prova específica.

Para concursos, essa decisão é relevante porque consolida o entendimento de que, em acidentes fatais em vias públicas por omissão estatal, os danos materiais são devidos independentemente de comprovação de prejuízo, bastando a demonstração da conduta culposa do ente público.

Ver recorte oficial

Mapa mental

STJInformativonº REsp 1.727.824-SP05 de abr. de 2022

Contrato de distribuição. Lista de clientela. Marketing do fabricante. Qualidade do produto e notoriedade da marca. Informações contratuais. Know-how. Apropriação indevida. Inocorrência.

Informativo comentado

O STJ decidiu que, em contratos de distribuição de bebidas, a formação da clientela decorre das estratégias de marketing do fabricante, da qualidade do produto e da notoriedade da marca, e não do esforço do distribuidor.

O fundamento jurídico expresso na ementa é que, para haver indenização por apropriação de know-how, seria necessário identificar uma técnica original e secreta de distribuição, o que não ocorreu, pois as informações foram fornecidas por obrigação contratual e não possuíam caráter sigiloso ou inovador.

Para concursos, essa decisão é relevante porque fixa o entendimento de que o mero fornecimento de lista de clientes ou dinâmicas de vendas previstas em contrato não gera direito a indenização por danos emergentes ou lucros cessantes, sendo essencial a demonstração de elemento distintivo e secreto.

Ver recorte oficial

Mapa mental

STJInformativonº REsp 1.848.862-RN05 de abr. de 2022

Procedimento cirúrgico. Falecimento do paciente. Riscos. Consentimento genérico (blanket consent). Insuficiência. Consentimento informado. Autodeterminação do paciente. Imprescindibilidade. Falha no dever de informação. Responsabilidade civil do médico.

Informativo comentado

O STJ decidiu que o médico responde civilmente quando falha no dever de informar o paciente sobre os riscos de morte em uma cirurgia.

O fundamento jurídico expresso na ementa é que esse dever decorre do princípio da autonomia da vontade (autodeterminação), sendo amparado pelo Código de Ética Médica, pelo Código de Defesa do Consumidor e pelo Código Civil.

Para concursos, é essencial saber que o consentimento informado deve ser claro e preciso, não bastando um consentimento genérico, e que a falta dessa informação configura negligência, gerando responsabilidade civil independentemente de o termo ser escrito.

Ver recorte oficial

Mapa mental

STJInformativonº REsp 1.876.297-SC05 de abr. de 2022

Militar. Formação. Curso Preparatório de Oficiais da Reserva. Contagem de tempo de serviço. Arts. 134, §2º, da Lei n. 6.880/1980 e 63 da Lei n. 4.375/1964. Expressa disposição legal.

Informativo comentado

O STJ decidiu que o tempo de serviço do militar como aluno em Curso Preparatório de Oficiais da Reserva não é contado de forma integral (dia a dia), mas sim na proporção de 1 dia de trabalho para cada 8 horas de instrução efetivamente cumpridas.

O fundamento jurídico expresso na ementa é o art. 63 da Lei n. 4.375/1964 e o art. 134 da Lei n. 6.880/1980, que preveem essa regra específica de cômputo apenas para fins de inatividade.

Para concursos, essa decisão é relevante porque fixa o entendimento pacífico do STJ sobre a contagem proporcional do tempo de serviço militar, tema recorrente em provas de Direito Administrativo e Previdenciário.

Ver recorte oficial

Mapa mental

STJInformativonº REsp 1.899.115-PB05 de abr. de 2022

Nulidade de tarifas bancárias. Pedido amplo. Trânsito em julgado. Posterior ação de repetição de indébito. Juros remuneratórios incidentes sobre a mesma tarifa. Impossibilidade. Existência de coisa julgada.

Informativo comentado

O STJ decidiu que, quando uma pessoa entra com uma ação pedindo a devolução ampla de tarifas bancárias consideradas ilegais, essa decisão abrange também a devolução dos juros que incidiram sobre essas tarifas.

O fundamento jurídico é o princípio da coisa julgada, previsto no do CPC/2015, que impede o ajuizamento de nova ação idêntica, ou seja, com as mesmas partes, causa de pedir e pedido. A Corte entendeu que, como os juros são acessórios que seguem a sorte do principal (a tarifa), o pedido genérico de devolução de "todos os valores" já os inclui, não sendo possível rediscutir o assunto em outro processo.

Para concursos, essa decisão é relevante porque demonstra a aplicação prática da coisa julgada e da teoria do acessório, mostrando que o pedido amplo em uma ação anterior pode esgotar pretensões futuras, evitando o fracionamento de demandas.

Ver recorte oficial

Mapa mental

STJInformativonº REsp 1.965.982-SP05 de abr. de 2022

Fundo de Investimento em Participações (FIP). Natureza jurídica. Condomínio especial. Desconsideração da personalidade jurídica. Cotas. Constrição judicial. Possibilidade.

Informativo comentado

O STJ decidiu que é possível aplicar a desconsideração da personalidade jurídica a fundos de investimento, mesmo eles não tendo personalidade jurídica própria.

O fundamento jurídico expresso na ementa é que, embora o fundo seja um condomínio sem personalidade, a medida é cabível quando houver comprovação de abuso de direito por desvio de finalidade ou confusão patrimonial.

Para concursos, essa decisão é relevante porque esclarece que a ausência de personalidade jurídica não é obstáculo automático à desconsideração, desde que haja fraude ou abuso na utilização do fundo.

Além disso, a ementa estabelece limites importantes, como a regra de que o patrimônio comum do fundo não pode ser penhorado por dívida de um único cotista, salvo em caso de constituição fraudulenta.

Ver recorte oficial

Mapa mental

STJInformativonº REsp 1.972.038-RS29 de mar. de 2022

Empresa incorporada a grupo empresarial em recuperação judicial. Crédito constituído anteriormente. Controle dos atos de constrição. Juízo universal.

Informativo comentado

O STJ decidiu que, mesmo quando uma empresa é incorporada por um grupo já em recuperação judicial após a constituição de um crédito contra ela, esse crédito deve ser submetido ao juízo universal da recuperação.

O fundamento jurídico expresso na ementa é o princípio da preservação da empresa, combinado com a força atrativa do juízo universal, que deve gerir exclusivamente os atos de constrição e alienação de bens para manter a higidez do fluxo de caixa do grupo.

Para concursos, a decisão é relevante porque fixa que a atração dos créditos para o juízo da recuperação independe do momento da incorporação societária, prevalecendo sobre penhoras ou execuções singulares anteriores. Isso demonstra a aplicação prática do princípio da preservação da empresa como limite à autonomia dos credores, tema recorrente em provas de Direito Empresarial.

Ver recorte oficial

Mapa mental

STJInformativonº REsp 1.982.937-SP05 de abr. de 2022

Aposentadoria por tempo de contribuição. Seguro-desemprego. Recebimento conjunto. Vedação legal. Compensação ou desconto. Possibilidade.

Informativo comentado

O STJ decidiu que, quando o INSS nega indevidamente um benefício previdenciário e o segurado, por isso, recebe seguro-desemprego no mesmo período, não é necessário excluir integralmente as parcelas da aposentadoria. Basta que o valor do seguro-desemprego recebido seja descontado (compensado) do montante que o INSS terá que pagar a título de benefício previdenciário.

O fundamento jurídico expresso na ementa é o parágrafo único do art. 124 da Lei n. 8.213/1991, interpretado no sentido de que a vedação ao acúmulo é atendida com a simples compensação, e não com a exclusão total.

Para concursos, a decisão é relevante porque fixa a tese de que o erro administrativo do INSS não pode prejudicar o segurado, aplicando-se o princípio de que quem errou (a autarquia) não deve se beneficiar do próprio erro.

Além disso, o julgado se alinha ao Tema 1.013/STJ, demonstrando a importância de conhecer a jurisprudência consolidada em recursos repetitivos sobre a impossibilidade de exigir que o segurado deixe de trabalhar enquanto aguarda a decisão judicial.

Ver recorte oficial

Mapa mental

STJInformativonº REsp 1.985.198-MG05 de abr. de 2022

Comercialização de ingressos on-line . Evento cancelado ou adiado. Ausência de comunicação adequada, prévia e eficaz aos consumidores. Falha na prestação do serviço (fato do serviço). Dano moral configurado. Responsabilidade solidária.

Informativo comentado

O STJ decidiu que a empresa que vende ingressos pela internet é responsável por falhas no serviço, como o cancelamento ou adiamento de um evento sem informação adequada.

O fundamento jurídico é que, no Direito do Consumidor, todos os fornecedores que integram a cadeia produtiva são solidariamente responsáveis, não havendo distinção entre eles. Isso importa para concursos porque fixa que a venda de ingressos é parte essencial do negócio do evento, sujeitando toda a cadeia (organizadores e plataformas) a indenizar por danos materiais e morais, sem que se possa alegar culpa exclusiva de terceiros.

Além disso, a decisão reforça que falhas graves na prestação do serviço não podem ser tratadas como mero aborrecimento, sendo passíveis de reparação civil.

Ver recorte oficial

Mapa mental

STJInformativonº RHC 160.368-SP05 de abr. de 2022

Obrigação de alimentos. Prisão civil do devedor. Inadequada e ineficaz no caso concreto. Afastamento excepcional. Legalidade.

Informativo comentado

O STJ decidiu que, excepcionalmente, a prisão civil do devedor de alimentos pode ser afastada quando essa medida coativa não for a mais adequada e eficaz para obrigá-lo a pagar.

O fundamento jurídico expresso na ementa é a necessidade de ponderação entre a efetividade da tutela e a menor onerosidade da execução, somada à dignidade da pessoa humana, considerando tanto o credor quanto o devedor.

Para concursos, essa decisão é relevante porque demonstra que a prisão civil por dívida alimentar não é automática ou absoluta, devendo o juiz analisar o caso concreto para verificar se a coerção ainda é útil e necessária.

Além disso, a ementa destaca que a maioridade e a capacidade de autossustento do credor, por si só, não extinguem a obrigação alimentar, exigindo prova pré-constituída da desnecessidade dos alimentos.

Ver recorte oficial

Mapa mental

STJInformativonº RMS 67.503-MG19 de abr. de 2022

Cartório de Registro de Imóveis. Interventor. Retenção de metade da renda líquida da serventia. Levantamento. Legalidade. Teto remuneratório. Art. 37, XI, da CF/1988. Não aplicação.

Informativo comentado

O STJ decidiu que a remuneração recebida pelo interventor nomeado para um Cartório de Registro de Imóveis não está sujeita ao teto constitucional do funcionalismo público (, XI, da CF/88).

O fundamento jurídico expresso na ementa é o art. 36, §§ 2º e 3º, da Lei n. 8.935/1994, que determina que metade da renda líquida da serventia, durante o afastamento do titular condenado, pertence ao interventor.

Para concursos, essa decisão é relevante porque esclarece que a natureza jurídica da verba recebida pelo interventor não é de subsídio ou remuneração de cargo público, mas sim um direito patrimonial decorrente de lei específica, afastando a incidência do teto remuneratório.

Ver recorte oficial

Mapa mental

STJInformativonº no AREsp 1.547.767-SP22 de mar. de 2022

Ação de revisão de benefício previdenciário. Cumulação de pedidos. Reconhecimento de verbas de natureza trabalhista e reflexos. Justiça do Trabalho. Competência. Tema 1.166/STF.

Informativo comentado

O STJ decidiu que, quando uma ação pede tanto o reconhecimento de uma verba trabalhista (como a CTVA) quanto a revisão do benefício de previdência complementar, a competência para julgar o caso é da Justiça do Trabalho.

O fundamento jurídico é a tese fixada pelo Supremo Tribunal Federal no Tema 1.166, segundo a qual compete à Justiça do Trabalho processar causas contra o empregador que busquem o reconhecimento de verbas trabalhistas e seus reflexos nas contribuições para a previdência privada vinculada. Isso importa para concursos porque demonstra a exceção à regra geral de que a Justiça Comum julga demandas contra entidades de previdência privada, prevalecendo a competência trabalhista quando há necessidade de prévio julgamento da relação de emprego.

Ver recorte oficial

Mapa mental

STJInformativonº no AREsp 955.896-SP19 de abr. de 2022

Suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Concessão de medida liminar. Renúncia ao direito sobre o qual se funda a ação. Exclusão da multa de mora. Art. 63, § 2º, da Lei n. 9.430/1996. Incidência.

Informativo comentado

O STJ decidiu que o contribuinte que obteve liminar suspendendo a exigibilidade do crédito tributário e, posteriormente, renunciou ao direito sobre o qual se fundava a ação, pode recolher o tributo sem a multa de mora, desde que o pagamento ocorra antes da homologação judicial da renúncia e ainda sob os efeitos da liminar.

O fundamento jurídico é o art. 63, § 2º, da Lei n. 9.430/1996, que interrompe a incidência da multa de mora desde a concessão da liminar até 30 dias após a decisão judicial que considerar devido o tributo. Para o STJ, o benefício se justifica pela proteção da confiança depositada na medida liminar, sendo irrelevante se a cessação de seus efeitos decorreu de derrota judicial ou de renúncia unilateral do contribuinte. Essa decisão é relevante para concursos porque esclarece que a renúncia ao direito equivale à improcedência da ação para fins de aplicação do benefício legal, ampliando a interpretação do dispositivo e destacando o princípio da segurança jurídica.

Ver recorte oficial

Mapa mental

STJInformativonº no HC 712.258-SP29 de mar. de 2022

Tráfico de drogas. Prisão Preventiva. Fundamentação concreta. Grande quantidade de drogas. Mãe de filho menor. Prisão domiciliar. Cabimento. Proteção à criança.

Informativo comentado

O STJ decidiu que a simples apreensão de grande quantidade e variedade de drogas não é motivo suficiente para negar a prisão domiciliar a uma mãe de filho menor de 12 anos.

O fundamento jurídico expresso na ementa é o A, I e II, do Código de Processo Penal, que exige, para a substituição da prisão preventiva pela domiciliar, que a mulher não tenha cometido crime com violência ou grave ameaça e que o crime não tenha sido contra seu filho ou dependente. Para os concursos, essa decisão é crucial porque demonstra que o STJ aplica uma proteção prioritária à primeira infância, exigindo fundamentação concreta e individualizada para afastar a regra geral da prisão domiciliar, não bastando a gravidade abstrata do delito.

Ver recorte oficial

Mapa mental

STJInformativonº no RHC 156.413-GO05 de abr. de 2022

Desvio de verbas públicas do SUS. Competência da Justiça Federal. Teoria do juízo aparente. Avaliação da validade da prova determinada pelo Juízo incompetente. Atribuição do Juízo Federal.

Informativo comentado

O STJ decidiu que, mesmo que um juiz estadual seja incompetente para investigar desvios de verbas do SUS (matéria de competência federal), as medidas cautelares que ele autorizou durante o inquérito policial podem ser aproveitadas.

O fundamento jurídico é a teoria do juízo aparente, segundo a qual atos praticados por um juiz que parecia competente no momento da decisão podem ser posteriormente ratificados pelo juízo competente.

Para concursos, isso é relevante porque demonstra que a incompetência do juízo não invalida automaticamente provas obtidas durante a investigação, desde que autorizadas por quem aparentava ter jurisdição.

Além disso, reforça que, em crimes federais como os contra o SUS, a competência é da Justiça Federal, mas os atos já praticados devem ser analisados caso a caso pelo juiz federal.

Ver recorte oficial

Mapa mental