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STJ17 de jun. de 2025 – 20 de ago. de 2025

Informativo nº 859

15 julgados · 15 comentados · ancorados no resumo oficial do STJ

AdministrativoAmbientalCivilConstitucionalGeralPenalProcessual CivilProcessual PenalTributário
Edição oficial no site do STJ
STJInformativonº Ag 1.360.188-RS19 de ago. de 2025

ISSQN. Industrialização por encomenda. Julgamento do tema pelo Supremo Tribunal Federal sob o signo da Repercussão Geral. Tema n. 816/STF. Juízo de retratação pelo próprio STJ. Adequação ao quanto decidido pelo STF.

Informativo comentado

O STJ, ao exercer o juízo de retratação, decidiu que não incide ISS sobre operações de industrialização por encomenda quando o objeto for destinado à industrialização ou comercialização, restaurando a sentença que declarou a inexistência de relação jurídico-tributária.

O fundamento jurídico expresso na ementa é a tese firmada pelo STF no RE 882.461/MG (Tema 816), que declarou inconstitucional a incidência do ISS do subitem 14.05 da LC 116/03 nessa hipótese.

Para concursos, a decisão é relevante porque demonstra a força vinculante das teses de repercussão geral do STF, obrigando o STJ a revisar seu entendimento anterior e adequar-se ao novo posicionamento constitucional.

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STJInformativonº HC 920.980-SP13 de ago. de 2025

Remição de pena. Amamentação e cuidados maternos. Reconhecimento como formas de trabalho. Interpretação extensiva do art. 126 da Lei de Execução Penal. Possibilidade.

Informativo comentado

O STJ decidiu que o tempo dedicado pela mãe presa à amamentação e aos cuidados maternos na ala de amamentação do presídio deve ser reconhecido como trabalho para fins de remição de pena.

O fundamento jurídico expresso na ementa é a interpretação extensiva do artigo 126 da Lei de Execução Penal, combinada com uma interpretação sistemática que considera a licença-maternidade (, XVIII, da CF), a Convenção sobre os Direitos da Criança e a necessidade de garantir equidade de gênero no cárcere.

Para concursos, a decisão é relevante porque consolida o entendimento de que o conceito de "trabalho" na execução penal pode ser ampliado para incluir atividades não expressamente listadas na lei, como os cuidados maternos, combatendo a desigualdade de gênero e valorizando o desenvolvimento infantil.

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STJInformativonº HC 962.828-PR12 de ago. de 2025

Investigação criminal. Prefeito. Foro por prerrogativa de função. Autorização judicial prévia. Prescindibilidade. Supervisão judicial posterior. Nulidade. Não ocorrência.

Informativo comentado

O STJ decidiu que a investigação criminal contra autoridades com foro por prerrogativa de função não precisa de autorização prévia do tribunal, sendo suficiente que haja uma supervisão judicial posterior para validar os atos.

O fundamento jurídico expresso na ementa é que não há razão jurídica para condicionar a investigação a essa autorização prévia, e que a ausência dela não gera nulidade automática, mas sim possibilidade de regularização, especialmente se a parte não sofreu prejuízo concreto.

Para concursos, essa decisão é relevante porque fixa o entendimento atual do STJ sobre a validade de investigações independentemente de autorização prévia, tema recorrente em provas de processo penal e direito constitucional.

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STJInformativonº REsp 1.845.249-MG12 de ago. de 2025

Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviços. Convênio ICMS n. 52/1991. Redução da base de cálculo em operações. Não aplicação a bens de uso doméstico. Interpretação sistemática da norma.

Informativo comentado

O STJ decidiu que a redução da base de cálculo do ICMS, prevista no Convênio ICMS n. 52/1991, não se aplica a bens de uso doméstico, como motosserras e cortadores de grama, mesmo que estejam listados no anexo do convênio.

O fundamento jurídico expresso na ementa é a interpretação sistemática da norma, que deve considerar a finalidade do benefício fiscal, aliada ao princípio da legalidade estrita previsto no do CTN, que exige interpretação literal para normas que concedem isenção.

Para concursos, a decisão é relevante porque demonstra que, no Direito Tributário, a simples inclusão de um produto em um anexo normativo não garante o benefício fiscal se a finalidade do uso do bem (industrial ou agrícola) não for respeitada.

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STJInformativonº REsp 2.121.878-SP13 de ago. de 2025

Remição de pena pela leitura. Possibilidade. Validação qualitativa pelo Poder Público. Necessidade. Tema 1278.

Informativo comentado

O STJ decidiu que a leitura pode ser utilizada para a remição de pena, ou seja, para reduzir o tempo de cumprimento da sentença.

O fundamento jurídico expresso na ementa é o art. 126 da Lei de Execução Penal, interpretado de forma a incluir a leitura como uma modalidade de estudo, desde que respeitados os requisitos de validação. A decisão estabelece que o atestado de leitura feito por profissional contratado pelo próprio preso não é válido, devendo a validação ser feita por uma Comissão de Validação imparcial, instituída pelo juízo da execução.

Para concursos, esse julgamento é relevante porque fixa uma tese vinculante (Tema Repetitivo 1278/STJ) sobre a possibilidade de remição pela leitura, um tema recorrente em provas de Direito Penal e Processo Penal, além de demonstrar a aplicação da interpretação analógica benéfica ao réu.

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STJInformativonº REsp 2.148.059-MA20 de ago. de 2025

Fundamentação por referência ( per relationem ou por remissão). Ato decisório. Técnica de fundamentação. Cabimento. Tema 1306.

Informativo comentado

O STJ decidiu que a técnica de fundamentação por referência (per relationem) é válida, desde que o juiz, ao reproduzir trechos de decisões anteriores, enfrente, mesmo que de forma sucinta, as novas questões relevantes do processo.

O fundamento jurídico expresso na ementa é que essa técnica é compatível com o dever constitucional e legal de fundamentação das decisões judiciais, desde que não se limite a uma mera remissão, garantindo o contraditório e o direito de defesa.

Para concursos, essa decisão é crucial porque pacifica o entendimento sobre a validade da fundamentação por referência, diferenciando a modalidade pura (nula) da integrativa (válida), e esclarece que o 021, §3º, do CPC não proíbe a reprodução dos fundamentos da decisão agravada quando não há argumento novo no agravo interno.

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STJInformativonº REsp 2.198.056-MG19 de ago. de 2025

Danos morais. Rompimento de barragem em Brumadinho/MG. Motorista de ônibus. Alteração temporária no trajeto de trabalho e dificuldades operacionais. Dano moral não configurado.

Informativo comentado

O STJ decidiu que, para haver indenização por danos morais decorrentes do rompimento da Barragem de Brumadinho, a vítima precisa comprovar uma ofensa concreta e individual aos seus direitos da personalidade, como abalo psíquico ou sofrimento grave, não bastando transtornos genéricos como o aumento do trajeto de trabalho.

O fundamento jurídico expresso na ementa é que, embora a responsabilidade civil por dano ambiental seja objetiva (risco integral), isso não dispensa a comprovação do dano individual sofrido.

Para concursos, essa decisão é relevante porque demonstra que, mesmo em tragédias de grande repercussão, o dano moral individual não é presumido, exigindo prova específica do prejuízo pessoal, diferenciando-o dos danos morais coletivos.

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STJInformativonº REsp 2.218.969-SP19 de ago. de 2025

Tutela do patrimônio histórico-cultural. Imóvel tombado. Restauração. Meras intenções e atos administrativos convergentes com a pretensão judicial. Perda de objeto. Inocorrência. Necessidade de atendimento integral do pedido. Condução estrutural da fase executória.

Informativo comentado

O STJ decidiu que a mera intenção ou o início das obras de restauração de um bem tombado não são suficientes para extinguir o processo por perda de objeto.

O fundamento jurídico é que o cumprimento integral da obrigação judicial é necessário para que se reconheça a perda do interesse processual, sendo que a pretensão de perda de objeto depende da entrega total do bem da vida demandado em juízo.

Para concursos, essa decisão é relevante porque estabelece que, em ações contra o Poder Público, o simples início de cumprimento de uma obrigação não encerra a demanda, devendo a verificação do cumprimento ocorrer apenas na fase de execução, sob pena de se permitir que o réu se esquive de precedentes desfavoráveis.

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STJInformativonº Processo em segredo de justiça19 de ago. de 2025

Ação de Improbidade administrativa. Defensoria pública. Ilegitimidade ativa.

Informativo comentado

O STJ decidiu que a Defensoria Pública não tem legitimidade para ajuizar ação de improbidade administrativa.

O fundamento jurídico é que, embora a Lei n. 11.448/2007 tenha incluído a Defensoria como legitimada para a ação civil pública geral (Lei n. 7.347/1985), o legislador, por "silêncio eloquente", não estendeu essa legitimidade para a ação específica da Lei de Improbidade (Lei n. 8.429/1992), que possui caráter punitivo próprio e cuja legitimidade ativa é concentrada no Ministério Público. O STJ destacou que, mesmo após decisão do STF que restabeleceu a legitimidade concorrente entre o Ministério Público e a pessoa jurídica lesada, essa ampliação não foi estendida à Defensoria Pública.

Para concursos, a decisão é relevante porque fixa um importante limite subjetivo à propositura da ação de improbidade, diferenciando-a da ação civil pública geral e exigindo do candidato o conhecimento de que a legitimidade ativa para a LIA é restrita, não abrangendo a Defensoria Pública.

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STJInformativonº Processo em segredo de justiça17 de jun. de 2025

Ação de exoneração de alimentos. Alimentos entre ex-cônjuges. Pagamento de pensão alimentícia por mais de duas décadas após o termo final da obrigação. Liberalidade. Expectativa legítima de continuidade da prestação. Supressio configurada.

Informativo comentado

O STJ decidiu que é possível manter a pensão alimentícia por prazo indeterminado quando o ex-marido, mesmo já exonerado da obrigação, continuou pagando voluntariamente por mais de duas décadas.

O fundamento jurídico expresso na ementa é a aplicação dos institutos da *supressio* (perda do direito de cessar os pagamentos pela inércia prolongada do alimentante) e da *surrectio* (surgimento do direito da alimentanda à continuidade, pela expectativa legítima criada).

Para concursos, essa decisão é relevante porque demonstra que a boa-fé objetiva e a tutela da confiança, figuras típicas do Direito Civil, também se aplicam ao Direito de Família, podendo estabilizar situações de fato e impedir mudanças abruptas de conduta.

Além disso, o julgado reforça que a transitoriedade dos alimentos entre ex-cônjuges pode ser excepcionada quando a inércia do devedor em exercer seu direito de exoneração cria uma expectativa juridicamente protegida para o credor.

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STJInformativonº Processo em segredo de justiça05 de ago. de 2025

Estupro de vulnerável. Vítima em estado de sono. Ato libidinoso diverso da conjunção carnal. Desclassificação para importunação sexual. Impossibilidade.

Informativo comentado

O STJ decidiu que a conduta de passar a mão na genitália de uma pessoa enquanto ela dorme configura o crime de estupro de vulnerável, e não pode ser desclassificada para o crime de importunação sexual.

O fundamento jurídico expresso na ementa é que a vítima, por estar dormindo, não pode oferecer resistência, havendo uma presunção absoluta de violência, o que enquadra o ato libidinoso no A do Código Penal.

Para concursos, essa decisão é crucial porque fixa o entendimento de que o estado de sono da vítima a torna vulnerável para fins penais, impedindo que o agressor se beneficie de uma pena mais branda. Assim, o candidato deve lembrar que, no STJ, a prática de ato libidinoso contra pessoa adormecida é estupro de vulnerável, e não mera importunação sexual.

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STJInformativonº no AREsp 2.791.130-SP19 de ago. de 2025

Tráfico de drogas. Art. 33 da Lei n. 11.343/2006. Verbo nuclear "trazer consigo". Contato direto junto ao corpo. Limitação. Impossibilidade. Conduta que engloba ter a droga à imediata disposição.

Informativo comentado

O STJ decidiu que a conduta de "trazer consigo" drogas, prevista na Lei de Drogas, não exige contato físico direto com a substância, bastando que ela esteja sob a imediata disponibilidade do agente, como no caso de drogas expostas em um tablado ao redor do qual os réus estavam aglomerados.

O fundamento jurídico expresso na ementa é que o verbo nuclear "trazer consigo" abrange a posse como "ter a disponibilidade de", e que interpretar de forma contrária geraria a atipicidade da conduta e a absolvição injusta, inclusive nos casos de uso próprio.

Para concursos, essa decisão é relevante porque fixa um entendimento ampliativo do STJ sobre o elemento normativo do tipo penal, mostrando que a posse de droga em via pública pode ser configurada mesmo sem contato corporal, o que é essencial para questões de direito penal sobre tipicidade e para a distinção entre os verbos nucleares do art. 33 da Lei 11.343/2006.

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STJInformativonº no HC 909.471-SP12 de ago. de 2025

Tráfico de drogas. Busca pessoal por guarda municipal. Tentativa de fuga ao avistar a guarnição. Fundada suspeita. Provas válidas.

Informativo comentado

O STJ decidiu que a busca pessoal realizada por guardas municipais em via pública é válida quando amparada por fundada suspeita de prática delitiva, como ocorreu no caso concreto em que o acusado tentou fugir ao avistar a viatura.

O fundamento jurídico expresso na ementa é a aplicação da tese fixada pelo Supremo Tribunal Federal no RE 608.588/SP (Tema 656), que reconhece a constitucionalidade das ações de segurança urbana pelas Guardas Municipais, incluindo o policiamento ostensivo e comunitário, desde que excluída a atividade de polícia judiciária.

Para concursos, a decisão é relevante porque consolida o entendimento de que a atuação das guardas municipais em patrulhamento ostensivo não configura desvio de finalidade, desde que não haja exercício de funções típicas de polícia judiciária, e que a fundada suspeita pode ser caracterizada por elementos como a tentativa de fuga.

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STJInformativonº no REsp 1.824.219-SP19 de ago. de 2025

Montagem fotográfica. Capa de revista. Direito à informação. Pessoas públicas e notórias. Direitos da personalidade reduzidos. Danos morais. Não configuração.

Informativo comentado

O STJ decidiu que a publicação de montagem fotográfica de uma autoridade pública vestida como presidiário, em capa de revista, não gera dano indenizável por si só.

O fundamento jurídico é a primazia da liberdade de expressão, que, no caso de pessoas públicas, reduz a proteção aos direitos da personalidade, desde que a matéria jornalística seja baseada em fatos verídicos ou verossímeis e de interesse público.

Para concursos, essa decisão é relevante porque demonstra a aplicação prática do conflito entre liberdade de imprensa e direitos da personalidade, fixando que críticas severas ou irônicas a figuras públicas não são automaticamente indenizáveis, a menos que haja abuso, como desrespeito à intimidade ou intuito difamatório.

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STJInformativonº no REsp 2.015.204-SP12 de ago. de 2025

Seguro de vida individual. Renovações sucessivas por longo período. Cancelamento unilateral. Abusividade. Princípios da boa-fé objetiva e da confiança.

Informativo comentado

O STJ decidiu que é abusiva a recusa da seguradora em renovar um contrato de seguro de vida individual quando o vínculo já durava longo período com renovações automáticas.

O fundamento jurídico expresso na ementa é a ofensa aos princípios da boa-fé objetiva e da confiança, que devem orientar a interpretação dos contratos, especialmente nas relações de consumo.

Para concursos, essa decisão é relevante porque consolida o entendimento de que a longa duração do contrato gera uma expectativa legítima de renovação, impedindo a ruptura unilateral e abrupta pela seguradora.

O candidato deve lembrar que o STJ protege o segurado contra práticas abusivas, valorizando a estabilidade contratual e a confiança depositada ao longo dos anos.

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